O buquê é jogado e todas as suas amigas estão lá, se estapeando para ver quem vai ficar com ele. Você está afastada, sozinha, rindo de toda aquela cena patética. É o casamento da sua melhor amiga. Ela resolveu dizer o sim depois de dois anos de namoro. Agora, só restam mais quatro amigas solteiras. E você.

 

As mães das suas amigas te olham com aquele olhar digno de pena. Você ri. Elas, com certeza, devem estar pensando o que todas as outras pensam: “Ah, coitada, tão bonitinha e continua sozinha”. Sua mãe também pensa isso, mas tenta não admitir. A vizinha que te viu crescer também. E sua tia mais chata.

 

Seus ex-namorados também acabam falando, hoje em dia, que você vai morrer sozinha. Coitada, não fica com homem nenhum. Veio para a festa sozinha, sentou com as amigas, está mais encalhada do que a tia solteirona da família(que agora apareceu com um novo affair).

Todos eles tão convencidos que tudo o que você mais queria era, realmente, um casamento para chamar de seu. Tão convencidos que você está sofrendo muito por não entrar na Igreja com o buquê na mão. Essa mania das pessoas de acharem que todo o resto do mundo deseja seus sonhos também.

Você olha para as mulheres se estapeando para pegar um buquê de flores e ri. Quanto desespero para um relacionamento supostamente estável e perfeito, de alianças no dedo, promessas de eternidade e uma presente falta de amor (próprio).

A diferença entre você e todas elas é que elas estão focadas demais no felizes para sempre. E, cegas, dão de cara com muros não planejados em ruas pelo caminho. Aceitam migalhas do que acham ser amor, que vão lhe dar a felicidade plena. E insistem, sem saber no que, sem saber para que, sem saber se é de verdade. Buscando, a todo custo, seus finais felizes.

E você? Você pode até querer, como elas, a parte do feliz. Mas acha, de verdade, que ainda é muito cedo para o final.

 

@kahrosa

kahrosa.blogspot.com

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